Quando eu ocupo o meu lugar permito que o outro ocupe o seu
- Mariana S. Bertoletti

- 1 de jul. de 2021
- 3 min de leitura

Durante muitos anos da minha vida o meu maior objetivo era salvar as pessoas (pais, irmãos, amigos, ou qualquer outro indivíduo que cruzasse o meu caminho).
Que lindo, muito nobre da minha parte!
Ocorre que o preço dessa tal "salvação" foi alto e pesou.
Cheguei a um ponto em que estava completamente frustrada, estagnada, exausta e sentia a sensação de que todos à minha volta somente queriam receber o que eu tinha para oferecer sem dar nada em troca (obviamente isso ocorreu por culpa e total responsabilidade minha, mas chegarei neste aspecto em breve).
Nesse momento parei e comecei a observar tudo à minha volta e pude perceber o que estava fazendo comigo. Sentia vontade, ou melhor, sentia a necessidade de mudar, porém não obtinha forças ou sabia por onde começar.
Equivocadamente pensei não ter saída, mas a vida me surpreendeu de uma forma tão linda que pude ver uma janela linda se abrir!
Instantaneamente me dei a mão e me permiti sentir. Sofri. Deixei minha mente e corpo descansarem. Desopilei. Recarreguei.
Após esse período "sabático" juntei todas as ferramentas que estavam disponíveis naquele momento e as coloquei em uma maleta que a denominei de "Mariana".
Arrisquei-me e caminhei em direção ao desconhecido, a um lugar nunca habitado ou explorado por mim. Dei o primeiro passo. Comecei. Fui sem olhar para trás.
Segundo Maria Bethânia:
...Se vim ao mundo, foi somente para desflorar florestas virgens e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada...
E cá estou, afirmando para você meu caro leitor, que esta jornada está sendo deliciosa, estou descobrindo paraísos dentro e fora de mim.
Mas, isso somente foi possível a partir do momento em que desapeguei das crenças e de que eu não sou a salvadora de ninguém. Quando compreendi que isso não é responsabilidade minha, mas do outro, retirei o peso que carregava em minhas costas. Imediatamente removi a projeção da "parede" (do outro) e obtive com clareza o entendimento de que sou a única pessoa capaz de me salvar!
Diante desta epifania, utilizarei este termo, ocupei o meu lugar.
Hoje ocupo meu lugar de filha dos meus pais (não sou maior ou igual a eles, mas sim pequena, pois vim depois deles), sou a terceira dentre 6 irmãos (sim, somos 6 irmãos). Eu os respeito, amo, admiro e agradeço, pois somente foi possível vivenciar esta linda e incrível aventura chamada "vida" através deles. E ao escrever isso sinto um acalento na alma.
A partir deste movimento consigo me reconhecer, valorizar, respeitar, bem como, permito-me ser tudo o que eu quiser ser, sem culpar, julgar, criticar, dentre outros aspectos negativos ao outro e a mim. Ou seja, ao ocupar o meu lugar eu permito que o outro ocupe o seu com liberdade e leveza. O sistema fica organizado e harmonioso. Neste caso, ambos se fortalecem.
Esta construção somente foi possível através do conhecimento sobre as leis sistêmicas de Bert Hellinger: Lei da Ordem ou Hierarquia; Lei do Pertencimento e, por fim, mas não menos importante, Lei do Equilíbrio ou Dar e Receber. Esta sabedoria de vida é a grande responsável pelas mudanças que estão acontecendo comigo e principalmente pelo modo como estou levando a vida: com leveza, amor, força, autorresponsabilidade, alegria e consciência.
Posso te dizer, caro leitor, que tudo está fluindo da forma como deve ser e, parafraseando Almir Sater, sinto-me forte e feliz, mas levo minha vida com a certeza de que pouco sei, ou nada sei...
Para finalizar, sugiro uma reflexão singela, porém profunda: que lugar você está ocupando hoje?
Pense. Repense. Recomece. Ocupe o seu lugar!
Com amor,
Mariana S. Bertoletti.


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